Teatro Rio

TEATRO RIO DE JANEIRO

Cia. Teatro do Pequeno Gesto

Cia. Teatro do Pequeno Gesto

Foto: Luiz Henrique Sá

UNIRIO - SALA GLAUCE ROCHA (Sala Cinza)

Por Mariana Oliveira / Teatro do Pequeno Gesto

A FILHA DO TEATRO

Cia. Teatro do Pequeno Gesto põe em cena a trama de três mulheres entrelaçadas num destino trágico

05 a 10 de abril, às 20h UNIRIO

A relação de família que se estabelece entre três mulheres e o assassinato de uma di-retora de peças experimentais é o ponto de partida de A FILHA DO TEATRO, 17ª mon-tagem do Teatro do Pequeno Gesto. O espetáculo, com direção de Antonio Guedes e texto do pernambucano Luís Augusto Reis, é uma homenagem ao teatro e uma busca pelo seu sentido.

A peça de Luís Augusto Reis, que recebeu pelo texto da peça o Prêmio Funarte de Dramaturgia em 2003, é estruturada em nove monólogos e a história contada a partir de três pontos de vista diferentes: o da vítima, mãe adotiva de uma menina; o de uma ex-atriz pornô, mãe biológica da garota; e o da própria filha. As atrizes que represen-tam esses personagens, não contracenam entre si, elas se revezam na interpretação das personagens, revelando, a partir de uma perspectiva diversa, os fatos que antece-dem o assassinato. Mas Fernanda Maia, Priscila Amorim e Viviana Rocha estão em ce-na o tempo todo. Aquelas que não estão falando, permanecem à vista do espectador operando a luz, o som, abrindo ou fechando uma cortina, fazendo com que a cena se desenvolva.

Entretanto, tão importante quanto o conteúdo da história, é a necessidade de ela se mostrar enquanto tal, como pura narrativa. Na literatura contemporânea, segundo o ensaísta francês Maurice Blanchot, a narrativa não deve ser compreendida como o relato de um acontecimento, ela própria é um acontecimento. A FILHA DO TEATRO dialoga com essa idéia. E a cena apresenta uma série de engrenagens a serem monta-das pelo espectador, sem que a história seja deixada de lado.

“Mais importante do que a história é a forma como ela é contada. Assim, ao mesmo tempo em que uma história é apresentada, o jogo teatral é revelado e a estrutura da cena se mostra para o público”, conta Antonio Guedes. Apesar de manter a platéia em suspense sobre o crime, cujas causas vão aos poucos sendo contadas, A FILHA DO TEATRO impede que se crie a ilusão de uma história rea-lista. “A troca das personagens entre as atrizes garante que não se crie a ilusão de identidade entre atriz e personagem. O jogo, aqui, é entre a vida real e a representa-ção; entre a concretude da cena e a história ficcional — explica o diretor.

SOBRE A CIA. TEATRO DO PEQUENO GESTO
A FILHA DO TEATRO, 17º espetáculo do Teatro do Pequeno Gesto, se insere na nova fase que a Companhia iniciou em 2007, focada na dramaturgia contemporânea. O diretor Antonio Guedes vem trabalhando com inusitadas propostas de textos de várias nacionalidades, como “Open house”, do argentino Daniel Veronese; “O animal do tempo”, do francês Valère Novarina; “A rua do inferno”, do espanhol Antonio Onetti. Com “A filha do teatro”, o Teatro do Pequeno Gesto dá continuidade a uma trajetória de investigação a respeito dos limites da representação nos dias de hoje.
www.pequenogesto.com.br

A FILHA DO TEATRO de Luís Augusto Reis – direção Antonio Guedes
Elenco: Fernanda Maia, Priscila Amorim e Viviana Rocha
05 a 10 de abril, às 20h UNIRIO - SALA GLAUCE ROCHA (Sala Cinza)
Ingresso: Entrada Franca
Av. Pasteur, 436 – Urca
Classificação: 12 anos | Duração: 60 minutos