Quarta-Feira, 07 de Janeiro de 2009
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Teatro




TEATRO RIO DE JANEIRO

‘A NOVIÇA REBELDE’ GANHA SUPERPRODUÇÃO BRASILEIRA

A NOVIÇA REBELDE

Foto: divulgação

Rebatizado de Oi Casa Grande, teatro carioca reabre
suas portas com musical

A NOVIÇA REBELDE

  • Há quase meio século, o musical ‘A noviça rebelde’ (The Sound of Music) era montado pela primeira vez na Broadway. O sucesso estrondoso da produção vencedora de oito prêmios Tony marcou o início de uma carreira sem precedentes para a história de amor entre a jovem noviça e o capitão viúvo e pai de sete filhos: além da célebre versão cinematográfica de 1965, premiada com cinco Oscars, foi realizada mais de uma centena de montagens nos cinco continentes. Agora, o musical mais popular de todos os tempos chega ao Rio de Janeiro na versão brasileira de Claudio Botelho, com direção de Charles Möeller. A superprodução é apresentada pela Bradesco Seguros e Previdência e tem patrocínio da Bradesco Cartões e apoio da ESPM e Ediouro. O espetáculo, produzido pela Aventura, marca também a re-inauguração no dia 22 de maio do agora remodelado e rebatizado Oi Casa Grande, no Leblon. Kiara Sasso (Maria Rainer) e Saulo Vasconcellos (Capitão Georg von Trapp). Estão à frente de um elenco 44 atores/cantores, que se revezam entre 31 personagens.
  • “Queríamos fazer este espetáculo não apenas por ter algumas das canções mais encantadoras e populares já compostas para musicais, mas também pelos valores reais que ele traz, de amor, superação, lealdade, idealismo e solidariedade”, explica Charles. “Além de ser um conto de fadas no estilo gata borralheira, alterna drama e humor; fala de política, religião, poder, aristocracia, crianças e de uma família transformada pela música. Por isso é uma história tão adorável e perene”, acredita. “Outro ponto que pesou na escolha foi o fato de ser uma obra da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. Estávamos devendo ao público brasileiro um espetáculo deles, que são sem dúvida dois nomes dos mais importantes na construção do teatro musical moderno”, completa.

    Após receberem a permissão da Rodgers & Hammerstein Theatricals – agência detentora dos direitos do musical – o ponto de partida para a dupla foi a escolha do elenco. “O cerne de uma produção como esta é encontrar os artistas certos: bons atores para atender à dramaticidade do texto e ao mesmo tempo bons cantores para interpretar canções que exigem bastante da voz”, resume Claudio. Além de Herson e Kiara nos papéis principais, a produção reuniu nomes como Fernando Eiras (‘Max Detweiler’), Solange Badim (‘Baronesa Elsa Schraeder’), Mirna Rubim e Vera do Canto e Mello (‘Madre Superiora’), Ada Chaseliov (‘Frau Schmidt’), Dudu Sandroni (‘Franz’), Ricca Barros (‘Almirante von Schreiber’), Bruno Miguel (‘Rolf Gruber’), Cássio Pandolfi (‘Herr Zeller’), Claudia Costa (‘Irmã Berthe’), Letícia Medella (‘Irmã Sophia’) e Ana Zinger (‘Irmã Margaretta’), entre outros. Além da atuação e do canto, a coreografia, a cargo de Dalal Achcar, é outro ponto determinante na preparação do elenco de um musical. Pensando nisso, Rita Murtinho criou um figurino leve e ao mesmo tempo fiel ao período do início da Segunda Guerra em que se passa a história.

    Mega-produção começou em setembro de 2007

    As crianças foram um caso a parte: para interpretar os sete filhos do ‘Capitão von Trapp’ foram ouvidas cerca de 500 crianças, submetidas em outubro passado a uma série de audições até a escolha de apenas 20 para formar três elencos completos. Com exceção da filha mais velha, ‘Liesl’, papel para o qual se revezam apenas duas jovens, todos os outros personagens infantis são interpretados alternadamente por três crianças cada.

    A complexidade de um musical desta proporção – um dos maiores já feitos no Rio de Janeiro – exigiu nove meses de pré-produção e produção - incluídas aí as tradicionais oito semanas de ensaios, praxe dos musicais - até a estréia em maio. Para isso, cerca de cem profissionais estão envolvidos diretamente na realização do projeto, entre direção, elenco, técnicos, produção e estagiários. Somente para construir os onze cenários criados por Rogério Falcão, que pesam ao todo mais de seis toneladas, foram usados 1.800 metros de sarrafos, 199 chapas de compensado e 218m2 de MDF, entre outros materiais. Outros 300 itens, entre projetores, canhões e torres de luz e set lights foram utilizados para a iluminação assinada por Paulo César Medeiros: “É um desafio e também um grande prazer inaugurar um teatro com uma produção deste porte, especialmente no Rio de Janeiro, ainda carente de espetáculos do gênero”, ressalta Aniela Jordan, uma das sócias da Aventura, ao lado de Monica Athayde Lopes, Beatriz Braga, Charles Möeller, Claudio Botelho, Tina Salles e Luiz Calainho, que reforça o coro: “O Rio finalmente pode receber uma produção grandiosa como esta graças aos nossos patrocinadores, em especial a Bradesco Seguros e Previdência, que apostou no projeto. Tenho certeza que este será o primeiro grande musical de muitos na cidade.”

    CD é lançado um mês antes da estréia

    Os ensaios musicais começaram em dezembro do ano passado, bem antes dos ensaios cênicos, em março. O resultado é o lançamento de um cd com 14 canções do espetáculo em abril, um mês antes da estréia: “Isso é um fato sem precedentes. Não há notícia de algo assim ter sido feito antes no Brasil”, comemora Aniela. “Ficamos apaixonados pela idéia de gravar em cd o musical que marcou a nossa infância e vai marcar a dos nossos filhos nesta grande produção. Não pensamos duas vezes”, entusiasma-se Alexandre Schiavo, presidente da SONYBMG, gravadora responsável pelo lançamento. Para chegar a este resultado, o elenco contou com a preparação vocal de Jules Vandystadt e ainda de Débora Garcia, que se dedicou exclusivamente às crianças. A direção musical é dividida entre Claudio Botelho e o maestro Marcelo Castro, que estará à frente da orquestra composta por 15 músicos durante os espetáculos. O design de som é de Marcelo Claret. A orquestração original de Robert Russel Bennet, no entanto, foi mantida: “Trata-se de um dos maiores orquestradores da Broadway”, ressalta Claudio.

    Versão brasileira abre mão de estrangeirismos

    A montagem brasileira é estritamente baseada no texto e músicas escritos para o palco, e não no filme estrelado por Julie Andrews. Naturalmente que a história e as canções são, em sua quase totalidade, as mesmas. “O viés político que o filme de certa forma evita, é bem mais forte na peça. Há mais canções também”, detalha Claudio. No entanto, ele ressalta que, ao contrário de diversos outros espetáculos do gênero recentemente vistos no país, não se trata de uma produção importada, mas sim de uma nova direção de um clássico. “Esta é a produção brasileira de um musical da Broadway, com a mesma liberdade que tivemos para montar aqui ‘Company’, ‘Sweet Charity’ e ‘Side By Side By Sondheim’, liberdade fundamental para que nos interessemos por um projeto. Não há grandes mudanças, na adaptação do texto e das letras, por exemplo, mas existe uma preocupação de fazer tudo compreensível ao espectador brasileiro. Palavras em alemão e estrangeirismos desnecessários, por exemplo, foram cortados ou adaptados.” Charles ressalta outra diferença: “É uma abordagem particular, claro. Afinal, somos latinos, o espetáculo é mais emocional. Nossas crianças são mais espontâneas e barulhentas. O conceito de brincadeira, de desobediência é outro por aqui.”

    História verídica foi o ponto de partida

    Montada em 1959, a produção teatral norte-americana contou com a atriz Mary Martin no papel principal e conquistou enorme sucesso de público e crítica, recebendo oito prêmios Tony. Esta, por sua vez, foi baseada em um filme alemão que levou pela primeira vez às telas a história contada no livro autobiográfico de Maria Augusta Trapp (‘The Trapp Family Singers’) sobre a família von Trapp. Depois do êxito nos palcos, o musical ganhou em 1965 sua versão cinematográfica mais famosa, dando origem a um dos mais cultuados filmes de todos os tempos, vencedor de cinco Oscars. Estrelado por Julie Andrews e Christopher Plummer, ‘A noviça rebelde’ (The Sound of Music) imortalizou definitivamente as canções da dupla Rodgers e Hammerstein, já presentes no musical de 1959, como ‘The sound of music’, ‘Dó-Ré-Mi’, ‘My Favorite Things’ e ‘So Long, Farewell’. No mesmo ano, era feita a primeira montagem brasileira, batizada de ‘Música, divina música’. Com produção de Oscar Ornstein e direção do norte-americano Harry Woolever, o espetáculo trazia pela primeira vez ao Brasil a versão completa norte-americana. No elenco estavam nomes como Carlos Alberto, Tereza Cristina, Djenane Machado, Moacyr Deriquem, Ary Fontoura, Renato Consorte e Monique Lafond.

    Palco de grandes espetáculos e centro de resistência política, Casa Grande volta como um dos mais modernos e equipados teatros brasileiros

    Inaugurado em 25 de agosto de 1966 pelos amigos Max Haus, Moysés Ajhaenblat, Moysés Fuks e Sérgio Cabral, o Teatro Casa Grande se notabilizou não apenas como palco de espetáculos antológicos mas também por ter se transformado em um centro de resistência de artistas e intelectuais durante o regime militar ao abrigar os Ciclos de Debates da Cultura Contemporânea, a partir de 1975. Estavam lá nomes como Antonio Callado, Ferreira Gullar, Sérgio Cabral, Plínio Marcos, Zuenir Ventura, Antonio Houaiss, Chico Buarque, Rubens Gerschman, Yan Michalski, entre muitos outros. Em 1985, foi a vez de Lula comparecer aos debates, em sua primeira visita ao Rio, ano que também marcou o fim da censura, anunciado no teatro pelo então ministro da justiça Fernando Lyra. Em seu palco se apresentaram Chico Buarque e Maria Bethânia, Elis Regina, Gal Costa, Paulinho da Viola e Milton Nascimento, entre outros. Além de grandes shows, produções teatrais como ‘O mistério de Irmã Vap’ e ‘Nardja Zulpério’ ocuparam o palco do Casa Grande, assim como o ‘O burguês ridículo’, último espetáculo em cartaz antes do grande incêndio que destruiu o local em 1997. Depois disso o teatro funcionou precariamente em um galpão e abrigou peças como ‘A máquina’, ‘O que diz Molero’ e ‘Woyzeck’, em 2003, quando fechou definitivamente.

    Rebatizado de Oi Casa Grande, o teatro reabre suas portas pelas mãos dos sócios Max Haus, Moysés Ajhaenblat, Aniela Jordan, David Zylbersztajn, Gustavo Aichenblat, Leonardo Haus, Luiz Calainho, e Silvia Haus, para se tornar um dos mais modernos do país. Com capacidade para 950 espectadores, a sala de espetáculos contará com um palco de 20 metros de altura e 13 metros de boca de cena, fosso para orquestra, telões de LED e 12 camarins. Em seus três foyers, serão realizadas exposições, inclusive em parceria com a Oi Futuro, sediada no Flamengo. A infra-estrutura permitirá ao freqüentador comprar ingressos pelo celular e usar computadores com rede wi-fi gratuita em toda a área do teatro.

    FICHA TÉCNICA
    ‘A noviça rebelde’ (The Sound of Music’)
    Música de Richard Rodgers e letra de Oscar Hammerstein II
    Libreto de Howard Lindsay e Russel Crouse
    Orquestração original: Robert Russel Bennet
    Versão brasileira: Claudio Botelho
    Direção: Charles Möeller
    Direção musical: Marcelo Castro e Claudio Botelho
    Regência: Marcelo Castro
    Preparação musical dos coros: Jules Vandystadt
    Preparação musical das crianças: Débora Garcia
    Coreografia: Dalal Achcar
    Cenários: Rogério Falcão
    Figurinos: Rita Murtinho
    Iluminação: Paulo César Medeiros
    Design de som: Marcelo Claret
    Coordenação artística: Tina Salles
    Direção de produção: Aniela Jordan, Beatriz Secchin Braga e Monica Athayde Lopes
    Elenco (por ordem de entrada em cena):
    Maria Rainer – Kiara Sasso
    Madre superiora – Mirna Rubim e Vera do Canto e Mello (alternantes) Irmã Berthe – Claudia Costa
    Irmã Margaretta – Ana Zinger
    Irmã Sofia – Letícia Medella
    Capitão Georg von Trapp – Saulo Vasconcellos
    Frau Schmidt – Ada Chaseliov
    Franz – Dudu Sandroni
    Liesl - Carolina Puntel, Maria Netto (alternantes)
    Friedrich – Christian Coelho, Davi Guilherme, Elton Towersey (alternantes)
    Louisa – Estrela Blanco, Julia Bernat, Malu Rodrigues (alternantes)
    Kurt – Daniel Rocha, Gabriel Lara, Hugo Carvalho (alternantes)
    Brigitta – Angela Chaves, Catarina Viamonte, Nathália Breschnik (alternantes)
    Marta – Ana Beatriz Caruncho, Antonia Murad, Manoela Valansi Guimarães (alternantes)
    Gretl – Karin Medeiros, Sofia Viamonte, Thayani Campos (alternantes)
    Rolf Gruber – Bruno Miguel
    Baronesa Elsa Schraeder – Solange Badim
    Max Detweiler – Fernando Eiras
    Herr Zeller – Cássio Pandolfi
    Alte von Schreiber – Ricca Barros
    Barão Elberfeld – Leo Wainer
    Freiras/Coro – Ester Elias, Fernanda Schleder, Germana Guilherme, Guilherme Héus, Julia Porto, Maíra Lautert, Marcela Mangabeira, Paola Soneghetti, Rejane Ruas Oficial nazista – Felipe Tavolaro

    ONDE COMPRAR INGRESSOS

    Oi Casa Grande
    Av. Afrânio de Mello Franco, 290 - Leblon - tel: 21 2511-0800
    Os ingressos podem ser comprados na hora na própria bilheteria do Teatro
    Na internet: www.ticketronic.com.br ou tel: 3344 5500 / Venda para grupos: 3344 5544
    Horários: quarta, quinta e sexta às 20h30 / sábado às 16h e 20h e domingo às 18h
    Classificação: 5 anos
    Duração: 2h45 (com intervalo de 15 minutos entre os dois atos)
    Ingressos: 4º, 5º e 6º feira – 20:30 hs Preços: de 60,00 a 120,00 reais.
    Sábado: 16:00 e 20:00 hs Preços: de 90,00 a 150,00 reais.
    Domingo: 18:00 hs . Preços: de 90,00 a 150,00 reais
    Bilheteria: De segunda a sexta das 15h às 21h, sábado das 10h às 21h, domingo de 12h às 20h

    Informações para a imprensa:
    Mario Canivello (mario@factoriacomunicacao.com)
    Vanessa Cardoso (vanessa@factoriacomunicacao.com)

    Por Carlos Alberto
    carlos.alberto@agenciafrog.com.br

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