
Em cartaz no Teatro Ágora até 31 de agosto, Insignificância é uma comédia do autor inglês Terry Johnson, dramaturgo e diretor de teatro, cinema e televisão. Com tradução e direção de Beatriz Bologna, o espetáculo põe em cena duas figuras emblemáticas da nossa sociedade do século XX: Marilyn Monroe e Einstein, num quarto de hotel em Nova York, em 1953. A eles se juntam o maior ídolo do esporte nos Estados Unidos (Joe Di Maggio), marido da atriz, e um senador (Joseph McCarthy) à caça das bruxas.
Esse encontro inusitado traz à luz uma das questões mais presentes na mídia em nossos dias atuais: as implicações da fama, tanto na vida pessoal das grandes celebridades, no que diz respeito a concessões feitas para obtê-la ou mantê-la, quanto no que concerne à sua manipulação para fins políticos. Por meio dos olhos de personagens que representam os maiores fenômenos de popularidade do século XX, o autor especula sobre três possibilidades de negociação com a fama: a recusa dela pelo cientista; a aceitação relutante, pelo mito sexual que Marilyn representa até hoje; e a frustração, quando ela se esvai, no personagem do jogador.
Os quatro personagens, que no texto são identificados apenas como professor, atriz, jogador e senador, encontram-se em um quarto de hotel, na noite em que precederia um suposto depoimento do cientista na Comissão de Atividades Anti-Americanas. A atriz acabava de filmar uma cena que se refere ao filme O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder, em que o vento do metrô levanta sua saia. Deprimida, a diva do cinema busca a sabedoria do cientista mais influente do século.
Seu trabalho como autor teatral tem sido produzido em várias partes do mundo. Já recebeu nove prêmios no Teatro Britânico, incluindo Olivier Award para Melhor Comédia em 1994 e 1999, Playwright of the Year em 1995, Critics' Circle Theatre Awards para Melhor Peça Inédita em 1995, dois prêmios do Evening Standard Theatre Awards, o Writers' Guild Award para Melhor Peça em 1995 e 1996, o Meyer-hitworth Award em 1993 e o John Whiting Award em 1991.
Atriz e diretora formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP, com pós-graduação em Prática em Teatro Contemporâneo pela Universidade de Essex, Inglaterra, como bolsista da CAPES em 1997. Atriz profissional há mais de vinte anos, dentre seus vários trabalhos, destacam-se: Faz de Conta que Faz Sol Lá Fora, de Ivam Cabral, direção Aline Meyer; Fragmentos Troianos, adaptação e direção de Antunes Filho de As Troianas, de Eurípedes; A Febre, de Wallace Shawn, direção de Lorival Pariz; Leviathan, de Rod Wooden, direção de Adrian Stokes (em inglês) em Colchester, Inglaterra. Como diretora, tem em seu currículo A Mais Forte, de A. Strindberg, Um Deus de Plástico, de Luiz Eduardo Frin, co-direção com o autor, as Óperas Cavaleria Rusticana, de P.Mascagni, e Suor Angélica, de G. Puccini, em Uberlândia, e Música de Câmara, de Arthur Kopit.
O texto propõe um encontro imaginário entre dois grandes ícones do século XX, Albert Einstein e Marilyn Monroe. Na peça, ambos estão em momentos cruciais de suas vidas – Einstein está sendo pressionado para depor na Comissão de Assuntos Anti-Americanos, que vigorou nos anos 50, nos EUA, com o objetivo de identificar supostos comunistas, e Marylin está em plena ascensão na carreira, mas extremamente infeliz com sua vida pessoal. Seu casamento com Joe DeMaggio está por um fio, não consegue engravidar, e sofre com a falta de reconhecimento de sua inteligência e exploração exacerbada de sua imagem. Sentindo-se impotentes e visivelmente solitários, discutem ciência, a teoria da relatividade, os valores que norteiam suas escolhas individuais e suas expectativas para o futuro da humanidade. O autor aborda uma possível culpa de Einstein com relação aos bombardeios de Nagasaki e Hiroshima – o que aproxima a discussão do dilema ético do cientista em relação às suas pesquisas. Os temas abordados na peça rapidamente remetem às discussões sobre a corrida armamentista internacional, ética científica, perseguição política e culto à celebridade, todas elas extremamente atuais.
O texto fez grande sucesso na ocasião de sua estréia (1982), tendo recebido vários prêmios e sido transformado em filme, em 1985, dirigido por Nicolas Roeg. A crítica internacional o classifica como um exercício inteligente e bem-humorado de imaginação, e a peça tem sido constantemente montada nos últimos 20 anos, especialmente os palcos britânicos e americanos. No entanto, este texto permanecia, até agora, inédito no Brasil.
Ficha Técnica
Insignificância, de Terry Johnson, comédia.
Tradução e direção: Beatriz Bologna
Elenco: Jorge Tarquini (professor)
Monik Kukulka (atriz)
Luiz Eduardo Frin (senador)
Ênio Vivona (jogador)
Cenografia: Sylvia Moreira
Iluminação: Jucca Rodrigues
Figurinos: Eveline Imbert
Produção: Ivana Pansera
Programação Visual: Werter Astolfi
De 12 de julho a 31 de agosto.
Ágora Teatro - Rua Rui Barbosa, 672 - Bela Vista - São Paulo/SP.
Horários: sextas e sábados, 21h e domingos, 20h.
Duração: 120 minutos Lotação: 88 pessoas.
Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada).
Recomendação: 12 anos.
Para informações sobre a localização do teatro, acesse o site
www.agorateatro.com.br
Informações para imprensa:
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